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Aumento do diesel intensifica pressão do transporte por autossuficiência nacional

· 3 min de leitura

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Caso executado, o setor ganharia uma maior previsibilidade e segurança nas operações

Durante um evento no dia primeiro de abril, a Petrobras declarou que a empresa analisa expandir o seu potencial de refino para atingir a autossuficiência em diesel até 2031. O objetivo exprime um salto estratégico em relação ao projeto anterior, que tinha a expectativa de atender 80% da demanda nacional, mesmo hoje a geração interna correspondendo a 70% do consumo de diesel no país.

O discurso chega em um momento que o mundo atravessa um cenário delicado. Diante das discussões a respeito do Estreito de Ormuz, rota marítima importante para a movimentação de aproximadamente 20% do petróleo mundial, o Brasil busca se consolidar ainda mais como um gerador seguro de energia, desenvolvendo um papel de importância global como exportador, principalmente para o continente asiatico.

O anúncio da Petrobras abre uma nova perspectiva para o Transporte Rodoviário de Cargas, responsável por mais de 65% de tudo que é produzido no país. Hoje, a dependência do mercado internacional expõe o setor à volatilidade de preços, influenciada por fatores geopolíticos e cambiais, tornando os custos operacionais instáveis e limitando os investimentos.

Para José Alberto Panzan, diretor da Anacirema Transportes e vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas de Campinas e Região (SINDICAMP), caso consiga atingir a meta de autonomia até o ano previsto, o maior ganho para o setor será a estabilidade no abastecimento e, potencialmente, mais equilíbrio nos custos operacionais.

“Se o Brasil realmente chegar à autossuficiência, o principal ganho é previsibilidade. Hoje, o transporte sofre muito com oscilações externas. Produzindo mais aqui dentro, reduzimos essa dependência e ganhamos mais segurança para operar e planejar, ou seja, não significa diesel barato, mas sim um ambiente menos instável, e isso, para o transporte, já faz muita diferença”, afirmou.

No entanto, o cenário também exige cautela, já que questões como política de preços, capacidade de refino e distribuição ainda influenciam diretamente o impacto real para as transportadoras. Hoje o diesel é um dos principais componentes da estrutura de custos das empresas, chegando a representar entre 35% e 40% das despesas operacionais, e, em casos específicos, até 50% em operações de longa distância.

José Alberto analisa que ainda é necessário prudência em quatro frentes importantes dentro do TRC. “Primeiro: a autossuficiência não garante preço baixo, porém pode garantir maior previsibilidade; Segundo: tudo depende da execução, entre plano e realidade existe um caminho; Terceiro: mudanças no combustível exigem atenção na operação, principalmente na frota e manutenção (pensando no percentual de biodiesel), e por fim, o mais importante: eficiência continua sendo decisiva. Mesmo com um cenário melhor, quem não tiver gestão, controle e disciplina operacional vai continuar sofrendo”.

Em um cenário ideal, as oportunidades podem ser positivas para o transporte, porém é preciso criar estratégias para tornar a operação eficiente, e só assim, passar a assumir novos desafios, como por exemplo, aumentar as rotas. O lado financeiro faz a diferença, com a redução de custos, é viável investir internamente, melhorando as frotas, os processos, as tecnologias, segurança e profissionalização.

“Enxergamos a possível mudança com equilíbrio, não dá para operar com euforia, se houver mais previsibilidade, a grande oportunidade está em melhorar contratos e planejamento, assim conseguimos assumir operações mais longas, com mais segurança, e mitigar riscos de margem. Quem for organizado e tiver controle de consumo vai capturar valor, caso não tenha, não muda muita coisa” finalizou.

Fonte: Revista Kdea 360 / Foto: Divulgação

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